Gestar no fim do ano
- Daniella Leiros Aita
- 28 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Gestar no fim do ano: quando o corpo grávido pede pausa, cuidado e presença
No Natal e no Ano Novo, enquanto o mundo acelera, a gestação convida ao silêncio, ao respeito ao tempo do corpo e ao cuidado que não entra em recesso.

Deixa eu conversar um pouquinho com você.
Assim, como quem senta perto.
Sem pressa.
O fim do ano costuma vir carregado de barulho.
Listas.
Expectativas.
Datas marcadas.
.
Mas quando existe um corpo gestando, algo muda.
.
O corpo grávido não acompanha o calendário.
Ele não entende réveillon, nem contagem regressiva.
Ele entende cansaço, peso, adaptação, emoção.
Entende silêncio.
Entende limite.
Talvez você esteja grávida agora e sinta que não tem a mesma energia de outros anos.
Talvez o corpo esteja mais lento.
Talvez as emoções estejam mais sensíveis.
E tudo bem.
A gestação não é um processo que acelera porque o ano está acabando.
Ela APROFUNDA.

Nesse período, muitas mulheres se cobram demais.
Querem estar presentes em tudo.
Querem dar conta de todos.
Querem “aproveitar”, mesmo quando o corpo pede pausa.
Mas o corpo nunca pede à toa.
A obstetrícia que eu acredito (e que pratico todos os dias) não é sobre encaixar a mulher grávida nas expectativas do mundo.
É sobre ajudar o mundo a respeitar o tempo desse corpo.

A Fisioterapia em Obstetrícia existe exatamente para isso.
Para ouvir o corpo quando ele fala baixo.
Para aliviar dores que aparecem no fim do dia (também antes delas aparecerem, né?)
Para ajudar a respirar melhor quand
o o peso aumenta.
Para reorganizar a postura, o assoalho pélvico, o eixo do corpo…
Mas, sobretudo, para oferecer presença.
Gestação não entra em recesso.
Dor lombar não espera janeiro.
Desconforto pélvico não tira férias.
E o cuidado também não deveria parar.
Às vezes, o que essa mulher precisa no fim do ano não é de mais uma festa.
É de um espaço onde ela possa deitar, respirar e ser cuidada.
Sem explicações longas. Sem julgamentos. Sem pressa.
Cuidar do corpo grávido é, também, cuidar da mente.


Quando a mulher se sente segura no próprio corpo, ela se sente mais segura para o parto e o próprio maternaer.
Quando ela se sente acolhida agora, ela confia mais no processo que vem depois.
O fim do ano não precisa ser um teste de resistência.
Pode ser um convite ao recolhimento.
Ao cuidado contínuo, à escuta.
Se você está gestando, saiba: você não precisa performar felicidade.
Você só precisa estar inteira.
E, às vezes, estar inteira começa quando alguém cuida de você com calma, com conhecimento e com respeito ao seu tempo. Texto: Dra Daniella Leiros - Fisioterapeuta especialista em Obstetrícia (atua na área desde 1999, título Certame pelo sistema COFFITO/AGRAFISM 2012/2013)
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